segunda-feira, 5 de julho de 2010

CHAMADOS PARA A EXCELÊNCIA



“Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito.”

Gn 17:1


Alguma vez você já se deparou com a sensação de que sua vida é comum demais? Por algum momento já teve a sensação de que ainda não doou-se totalmente, de que há mais experiências por viver, de que você pode ir além?


Não sei quais respostas você daria a estas perguntas, mas, quanto a mim, sinceramente sonho que minha vida valha à pena. Sonho em suar a camisa e ao fim do jogo ver que dei o melhor de mim. Sim, fiz apenas o que era minha obrigação, mas fiz. Rompi com a mediocridade, com o conformismo.


Não há nada de especial em mim, mas voei mais alto. Não desejo ser mais um no meio da multidão: quero marcar minha geração!


A Bíblia fala de um homem chamado Jabez. No meio de uma genealogia enfadonha, ele surge de forma diferenciada com atributos não observados nos outros nomes citados.


“E foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos”

1 Cr 4:9a


Sua curta história se resume a uma oração pequena e desafiadora que simplesmente o fez alguém especial. O texto de 1 Crônicas o define como “mais ilustre que seus irmãos”. Não interessou ao autor do texto descrever seus feitos ou conquistas, mas sua disposição em romper com o provável. O que sabemos apenas é que este homem comum marcou sua geração, afinal foi MAIS ILUSTRE QUE SEUS IRMÃOS.


A Epístola aos Hebreus no capítulo 11 traz uma lista de homens e mulheres “dos quais o mundo não era digno” (vers. 38). São pessoas comuns como nós, no entanto a Palavra diz acerca deles: “Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus.” (vers. 16a).


Sendo mais claro, o que este texto quer dizer é que o Senhor se orgulha deles, pois não se conformaram com este século, mas se deixaram transformar tornando-se segundo o coração de Deus, a exemplo de Davi (At 13:22).


Ao invés de viverem uma vida superficial, estes homens ousaram se lançar pela fé no sobrenatural. Não se limitaram as necessidades emergenciais, as aspirações por sucesso, fama ou dinheiro, mas decidiram permitir que o Senhor lhes ampliasse os horizontes revelando-lhes seus segredos (Sl 25:14a). Eles se deixaram levar pelo vento do Espírito e entenderam que existia para eles um chamado mais forte e intenso: O CHAMADO PARA UMA VIDA DE EXCELÊNCIA!


Este chamado se expressa na vida de muitos personagens bíblicos, mas se resume no seguinte texto:


“As coisas que os olhos não viram, nem ouvidos ouviram e nem subiram ao coração humano são as que Deus tem preparado para aqueles que o amam.”

1 Co 2:9


Há muito mais para viver em Deus! Há mensagens ainda não pregadas, milagres não vistos, prodígios não testemunhados, almas não alcançadas, cidades não evangelizadas, pessoas não discipuladas.


O Senhor nos chamou para sobrepor a média. Porém viver esta excelência requer esforço.


Na verdade o primeiro passo está presente no versículo que iniciou nossa reflexão:

“... anda em minha presença e sê perfeito.”


É impossível excedermos o trivial sem nos dispormos a ANDAR COM DEUS. Não existe possibilidade de aperfeiçoamento ou excelência pela força do nosso próprio braço (Jr 17:5). Apenas iniciamos o processo rumo a perfeição quando permitimos que o Senhor tenha controle sobre nós. E isto começa quando nos entregamos totalmente a Ele, isto é, quando passamos a compartilhar de sua presença diariamente ANDANDO COM ELE. Deste momento em diante o nossa visão da vida muda, assim como aconteceu com Abraão (após 95 anos de uma vida comum), Jabez, os 12 apóstolos, Estevão e tantos outros.


Se almejarmos a excelência apenas para termos coisas, seremos os mais miseráveis de todos os homens (1 Co 15:19). A excelência é um convite para SERMOS MELHORES e não para TERMOS MAIS. Abrão foi desafiado a andar com Deus para SER perfeito. Deus não o chamou para que ele fosse o maior fazendeiro da região. O grande projeto era fazer dele uma grande nação cuja descendência originaria o Salvador, Jesus Cristo. Neste processo o Senhor lhe acrescentou riquezas materiais, no entanto o coração de Abraão esperava algo maior. Hebreus capítulo 11: 10-11 diz:

“Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus.”

A visão de Abrão tinha mudado. Suas fronteiras se alargaram. Ele aspirava pela EXCELÊNCIA!


Esta aspiração pela excelência faz com que sejamos curados da mesmice cotidiana. Quando entendemos que fomos gerados pelo Senhor com uma finalidade específica e que Seu plano pra nós é bem maior do que pensamos ou pedimos (Efésios 3:20), passamos a viver todos os dias na expectativa de que algo sobrenatural vai acontecer HOJE, AMANHÃ E DEPOIS DE AMANHÃ. Passamos a aspirar por experiências mais profundas com Deus e desejamos ardentemente que nossa vida GLORIFIQUE INTEIRAMENTE ao nome do Senhor (1Co 10:31).


Quando a mente sobremodo excelente do Senhor passa a ser a nossa mente (Rm 12:2), nós desejamos o que está escrito na oração do Pai Nosso:


"Venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” Mt 6:10


E quando isto passa a acontecer, nós somos profundamente marcados e passamos a marcar profundamente a outros.


Que isto aconteça comigo e contigo.


Que Deus, em Cristo Jesus, nos leve a viver Sua excelência.

terça-feira, 15 de junho de 2010

COMO TRANSFORMAR 40 DIAS EM 40 ANOS?

“E vossos filhos pastorearão neste deserto quarenta anos, e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que os vossos cadáveres se consumam neste deserto. Segundo o número dos dias em que espiastes esta terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniqüidades quarenta anos, e conhecereis o meu afastamento.” Nm 14:33-34

Muito de nós conhecemos em parte ou totalmente a narrativa bíblica do povo de Israel pelo deserto a caminho de Canaã. Não foram poucas às vezes em que durante a leitura destes fatos eu me vi indignado com a ingratidão e desobediência do povo hebreu. Diante deles operavam-se sinais, prodígios e maravilhas quase que diariamente: mar aberto ao meio, maná que caía do céu, “chuva” de carne de codorna, água pura escorrendo da rocha no meio de um deserto. O cenário perfeito para que corações ardessem de temor, tremor e paixão pelo Senhor, não é mesmo? (a resposta aparentemente é sim!)

Imagino que eu não deva ser o único a manifestar esta “indignação”, pois você, amigo leitor, também deve ter sentido o mesmo em alguns de seus momentos de reflexão bíblica.

Mas, e quando o dedo de acusação (chamado de “dedo em riste”) está apontado para o meio da “nossa cara”? Como nos comportamos quando somos os causadores do delito?

Sentimos-nos como Davi diante da história contada pelo profeta Natã: damos sentença de morte a ninguém menos que...
NÓS MESMOS!


A verdade é que quando contextualizamos a narrativa bíblica do Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia) passamos a entender que em muitas circunstâncias de nossa vida cometemos erros similares aos de Israel. E este é o objetivo da reflexão de hoje, aprendermos com o erro alheio a fim de nos examinarmos.

No capítulo 14 do Livro de Números lemos o dia em que Deus sentencia a geração do povo israelita que havia sido retirada do Egito a permanecer 40 anos no deserto. A narrativa começa com a murmuração do povo, após a visita dos espias a terra que haveria de lhes ser entregue por Deus. Preocupados com a presença de gigantes em Canaã, 10 (dez) espias trouxeram a Moisés, Arão e a todo povo de Israel um relatório verbal extremamente negativo. Iniciaram seu discurso elogiando a terra e reconhecendo existir nela os atributos prometidos por Deus, todavia, após está introdução meramente retórica, deram ênfase à força dos habitantes que lá haviam dizendo, por este motivo, o que se expressa no versículo 21 do referido capítulo:

“Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós.”
Nm 13:31

Em reação ao “
tristemunho” destes dez homens, todo o povo, exceto Moisés, Arão e mais dois espias chamados Josué e Calebe, passaram a murmurar, dizendo:

“Quem dera tivéssemos morrido na terra do Egito ou mesmo neste deserto! E por que o SENHOR nos traz a esta terra, para cairmos à espada, e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos ao Egito? E diziam uns aos outros: Constituamos um líder, e voltemos ao Egito.” Nm 14:2-4

A partir daí o texto descreve o discurso de Josué e Calebe em defesa da possessão da terra prometida. O contra-golpe do povo a narrativa apaixonada destes dois intrépidos espias foi à fúria e a intenção de apedrejá-los. Como resposta as palavras e atitudes rebeldes do povo, o Senhor Deus se manifesta por sua Glória no meio deles e diz:

“Até quando me provocará este povo? Até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio dele? Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei; e te farei a ti povo maior e mais forte do que este.” Nm 14:11-12

Deste ponto em diante, Moisés inicia um oração intercessória que é sucedida por um “desabafo e sentença” de Deus a Israel, conforme se vê nos versículos introdutórios de nossa reflexão.

Percebemos que eles estavam próximos a terra e, portanto, prestes a se apossarem do que o Senhor lhes havia prometido. Contudo, sua atitude fez com que Deus lhes punisse com mais 40 anos de peregrinação no deserto, sendo que cada ano representaria 1(um) dia do tempo em que estiveram espiando a terra. E é com base nos versículo 33 e 34 do capítulo 14 de Números que te faço a seguinte pergunta:

VOCÊ PODE RETARDAR O TEMPO DO CUMPRIMENTO DAS PROMESSAS DE DEUS EM SUA VIDA?

A resposta correta é...
SIM!

O próprio texto nos traz 5 erros (pontos negativos) que o povo de Israel cometeu que nos servem de exemplo de COMO POSTERGAR UMA BENÇÃO ou COMO TRANSFORMAR 40 DIAS EM 40 ANOS!

Os pontos negativos a observar são:

1) Não dê ouvidos a voz direcionadora de Deus
Deus havia lhes prometido não só a libertação do Egito, mas uma terra deleitosa que manaria leite e mel (Ex 3:17; Lv 20:24; Dt 11:9). Os olhos de todos os espias atestaram as características desta terra prometida servindo de testemunho (Nm 13:27), porém Israel não quis obedecer a direção que o Senhor lhes deu por boca de Josué e Calebe. Ao invéz de se apossarem, decidiram retroceder com medo.

E quanto a nós: quantas são as vezes que somos orientados pelo Senhor a fazermos algo, mas mesmo assim nos atrevemos a agir de forma contrária?
Nossa incredulidade endurece nosso coração e nos leva a desobediência. No entanto, devemos estar atentos ao que está escrito em Hebreus, capítulo 3, versículo 15:

“Se hoje ouvires a voz do Senhor Teu Deus, não endureçais os vossos corações, como na provocação.”

2) Não obedeça as autoridades constituídas sobre você
Não foram poucas as vezes que o povo se rebelou contra Moisés, Arão ou seus representantes. A rebelião de Corá (ou Coré, em algumas versões) é um triste exemplo do resultado de atitudes de desobediência. Números capítulo 16 narra que 250 (duzentos e cinquenta) homens de posição (isto é, autoridades) sob a liderança de Corá se levantaram contra os lideres da nação, Moisés e Arão. O resultado é o que se observa no versículo 32 do capítulo 16 de Números:

“E a terra abriu a sua boca, e os tragou com as suas casas, como também a todos os homens que pertenciam a Corá, e a todos os seus bens.”

Romanos 13:1 diz:

“Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.”

Obediência, submissão e honra são valores que devem fazer parte da vida de um genuíno cristão. A verdade é que se desejamos vida abundante, devemos aprender a praticar estes 3 valores (Rm 13:7; Ef 6).

3) Despreze e resista ao propósito de Deus para sua vida
Israel havia recebido de Deus uma terra que manava leite e mel (e liberdade) e, no entanto mesmo assim desejavam voltar a escravidão do Egito.

Muitas vezes o Senhor compartilha conosco um sonho Dele a nosso respeito e nós desprezamos por acreditar que nossos projetos são maiores e mais importantes. Abdicamos do ministério por uma carreira profissional bem sucedida, casamos com um descrente vivendo um jugo desigual, enfim, resistimos ou desprezamos a vontade de Deus pra nós.

O Profeta Jonas é o grande exemplo da resistência a um propósito de Deus. Circunstâncias adversas e uma série de intempéries o levaram a realizar a tarefa que lhe foi determinada.

No entanto, pergunto: Não seria mais fácil ter obedecido no começo?

Pensando na importância de seguirmos o propósito e ordenanças de Deus para nossas vidas é que o profeta Samuel afirma:

“Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender é melhor do que a gordura de carneiros.” 1 Sm 15:22b

4) Tente a Deus com declarações tolas ou petulantes
Israel afirmou de forma petulante que seus filhos morreriam no deserto (Nm 14:31). Na verdade o que eles insinuaram é que Deus não seria capaz de cuidar deles e da geração posterior, isto é, seus filhos. Suas declarações soberbas e tolas iraram o Senhor de tal maneira que Ele lhes afirmou que morreriam, mas seus filhos sobreviveriam para entrar na terra prometida (Nm 14:32).
Precisamos nos lembrar que temos um Deus que é Senhor, e não servo. Zombar ou tentar a Deus é algo que certamente resulta em severo prejuízo, pois como está escrito:

“Não tentarás ao Senhor, Teu Deus.”
Dt 6:16

“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”
Gl 6:7

5) Murmure contra Deus
A murmuração é como um dedo em riste para Deus. É como se “cuspíssemos no prato que comemos”, sendo incapazes de enxergar sua mão sustentadora presente em nossa vida. Toda ação de murmuração é regida por um sentimento de ingratidão.

Como podemos ser ingratos ao Senhor, se Ele nos salvou da condenação eterna? Como não agradecer a Ele por todos os benefícios que nos tem feito? Como não reconhecê-lo em nossos caminhos se antes andávamos em trevas e agora somos Filhos da Luz?

A murmuração sem dúvida alguma nos afasta da Graça de Deus e abre portas para a destruição em nossas vidas.

Mas, como está escrito:

“Não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor.” 1Co 10:10


Após refletirmos sobre estes 5 pontos negativos, percebemos que a maior dificuldade de Deus não foi retirar o povo do Egito, mas retirar o Egito de DENTRO do povo. A consciência medíocre e secularizada do povo de Israel lhe impedia de viver o sobrenatural de Deus e desfrutar de seu cuidado no cotidiano.

Quando cometemos estes erros supracitados, nós postergarmos o cumprimento da promessa, pois o Senhor não realizará em nós nenhuma de Suas Obras antes de retirar de nós aquilo que Lhe desagrada. O Senhor deseja nos usar e abençoar, todavia antes Ele quer mudar nossa maneira de pensar e viver (Rm 12:2). Não podemos viver coisas celestiais com uma consciência mundana.

Desta maneira, precisamos entender que o caminho da benção e da conquista é a OBEDIÊNCIA ao Senhor e sua Palavra(Dt 28). Assim como Jesus sujeitou-se a autoridade do Pai cumprindo Sua vontade (Fp 2:5-11), nós devemos obedecer a vontade de Cristo, pois a obediência nos mantém no lugar certo:
O CENTRO DA VONTADE DE DEUS (isto é, junto a Ele)!

E neste lugar a boa, agradável e perfeita vontade do Senhor se concretiza em nós e a partir disto experimentaremos o melhor desta terra (Is 1:19) desfrutando de forma plena da Eternidade em Cristo que começa no dia em que abandonamos o mundo (Egito) e entregamos nossa vida totalmente a Jesus.


É NO ALTAR DO SENHOR QUE AS PROMESSAS SE CUMPREM NO TEMPO CERTO EM NOSSA VIDA.

Que Deus em Cristo Jesus te abençoe poderosamente!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O PECADO E SEU PODER SECRETO



“Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei”.

I João 3:4


“E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos”.

Mateus 24:12


“Pois já o poder secreto da injustiça opera”.

2 Ts 2:7


Convido você para uma reflexão profunda sobre os três versículos anteriormente citados.


Pra começar, pergunto: O que há de comum entre eles?


Ambos mencionam o pecado, ainda que indiretamente. No primeiro versículo vemos a palavra “pecado” aparecendo claramente junto da palavra “transgressão”. No segundo, observamos a palavra “iniqüidade”, a qual se refere a pecado. O terceiro fala sobre injustiça que também diz respeito a andar fora da justiça, isto é, defraudar a lei. A isto, conforme lemos no primeiro versículo, a Bíblia chama de pecado.


Paremos um pouco nossa seqüência de raciocínio.


Quero te fazer um pedido: como se estivéssemos em um daqueles programas de entrevista onde o apresentador diz uma palavra e rapidamente o entrevistado diz o que lhe vem à mente, você ouvirá uma pergunta e imediatamente me dará uma resposta (sem medo algum). Lá vai a pergunta:


Afinal de contas, o que é pecado?


Muitos quando pensam em pecado pensam em erros na área sexual, como prostituição e adultério, outros pensam em furto, roubo, assassinato, ódio, bebedice, inveja, brigas, mentiras, etc. Ainda há aqueles que gostam de fazer referência ao erro alheio dizendo que FULANO “caiu em pecado”. Falando nisto, o que você pensa quando ouve a frase “CAIR EM PECADO” (vamos repetir nosso jogo de pergunta/resposta)?


Quando ouço esta frase posso imaginar que o emissor da mensagem está se referindo a pecados sexuais. No entanto, é necessário enfatizar que não são apenas estas atitudes que se classificam como pecado.


As palavras “injustiça” ou “iniqüidade”, presentes nos 3 versículos que lemos no início, são traduções da palavra grega anomia (anomian). O Dicionário grego Thayuer define anomia como: “A condição de estar sem lei, por causa da ignorância dela ou sua violação”. Colocada numa forma simples, transgressão significa não se submeter a uma lei ou autoridade de Deus. O dicionário Vine diz que este versículo dá a “definição correta de pecado”. Vine afirma que “a definição de pecado estabelece seu caráter essencial como rejeição da lei, ou vontade de Deus, e a substituição da vontade própria”.


OU SEJA, PECADO É DESOBEDECER A PALAVRA DE DEUS (QUE É A LEI SOBRE NÓS) NÃO NOS SUBMETENDO À SUA AUTORIDADE.


O segundo versículo que lemos também traz outra palavra que merece especial análise. Trata-se da palavra AMOR que é a transliteração da palavra grega, ÁGAPE. Esta se refere a um amor plenamente perfeito e incondicional, isto é, o amor de Deus. Ela é encontrada apenas em textos onde temos clara menção do Amor do Senhor. Existem outras palavras gregas traduzidas como “amor” no Novo Testamento. Contudo todas se diferem do significado da palavra ÁGAPE. Um claro exemplo é a palavra PHILEO que conforme o dicionário Vine se distingue de ágape, pois seu significado faz referência a uma afeição tenra, isto é, um sentimento de amizade.


Unindo o que lemos no início sobre iniqüidade com as informações que obtivemos sobre o significado da palavra ÁGAPE, eu te convido para uma reflexão mais aprofundada do seguinte versículo:


“E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos”. Mateus 24:12


Este versículo é uma profecia sobre os últimos dias e costuma ser interpretado da seguinte maneira: “Aqueles que não conhecem a Cristo terão seus corações esfriados como conseqüência do pecado que cometem”.

Esta costuma ser sua interpretação, também? Se sim, tal texto é uma referência direta ao esfriamento dos corações descrentes (pessoas do mundo), certo?


Errado!


Quando tive a oportunidade de conhecer a origem grega das palavras deste texto, fui impactado por um grande questionamento:


Sendo ágape uma palavra exclusiva para a descrição do pleno amor Divino, como pode o Amor perfeito de Deus estar dentro do coração de pessoas que não o conhecem, sendo que a Bíblia diz que elas são inimigas de Deus (conforme se vê em Tiago 4:4 e 1 João 2:15)?


A verdade (e a resposta para a pergunta anterior) é que o amor de Deus (ágape) não pode estar no coração destas pessoas, pois as tais não nasceram de Novo, logo não possuem nelas o Espírito Santo que derrama dentro de nós este perfeito amor (Rm 5:5). Assim sendo, podemos concluir que o texto não se refere a elas, mas a todos os que receberam este amor em seus corações, isto é, os que nasceram de novo e são chamados de pequenos cristos (ou simplesmente, cristãos)!


Isso mesmo: O TEXTO FALA DE NÓS!


Este versículo é uma revelação do que acontecerá com a geração cristã dos últimos dias. Pessoas se afastarão do Senhor por tornarem-se frias e isto acontecerá sem que notem, pois estão sendo vítimas do poder secreto do pecado: O ENGANO.


Os vitimados pelo ENGANO pecam e acham que não estão em pecado, porque posuem uma visão distorcida do que é o pecado.


É importante que em nossos corações fique clara a seguinte verdade:


UMA VIDA FORA DA VONTADE DE DEUS É PECADO!

TUDO QUE DESAGRADA AO SENHOR OU VAI CONTRA A AUTORIDADE DE SUA PALAVRA É PECADO!


Desta maneira, se recapitularmos o que aprendemos até aqui chegaremos a conclusão de que precisamos estar atentos para percebermos em que momentos de nossas vidas estamos transgredindo, isto é, não estamos nos submetendo a autoridade de Deus, substituindo sua vontade pela nossa.


Devemos viver nossa vida conforme Deuteronômio 11:1, que diz:

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus, e guardarás as suas ordenanças, os seus estatutos, os seus preceitos e os seus mandamentos,

por todos os dias.


Finalmente, devemos sempre nos lembrar que...


OBEDECER AO REI É O SERVIÇO MARAVILHOSO QUE PRECISAMOS EXERCER COMO SERVOS!


AMEMOS AO SENHOR, NOS SUBMETAMOS A ELE, ABANDONEMOS O PECADO E JAMAIS SEREMOS VÍTIMAS DO ENGANO!


Que o Amável Deus te abençoe poderosamente!

domingo, 30 de maio de 2010

O ANTÍDOTO PARA NOSSA LIMITAÇÃO


“Bem sei que tudo podes e nenhum dos teus planos pode ser frustrado”. Jó 42:2

Há momentos em nossa vida em que nos sentimos imensamente pequenos. Fazemos planos, mas não vemos como poderemos realizá-los. Deus revela Seus sonhos a nosso respeito, no entanto nos sentimos nanicos e falhos. Temos a impressão que somos “as pessoas erradas para a tarefa certa”. Olhamos para nossas mãos e nos perguntamos: como desenvolverei tão grande missão se sou tão frágil e limitado?

Sim, todos nós já tivemos o momento em que nos enxergamos como que diante de um espelho. É nestes momentos de auto-reflexão que descobrimos que não somos tão bons quanto pensávamos, temos defeitos, precisamos ser aperfeiçoados, pois ainda temos muito para caminhar e aprender. Em resumo, somos confrontados com a seguinte revelação:
SOMOS VASOS DE BARRO, SOMOS PÓ, SOMOS FRÁGEIS.

O profeta Jeremias também passou por este processo de auto-descoberta. Em Jr 18:1-6 é possível observar como isso ocorreu:

“A palavra do SENHOR, que veio a Jeremias, dizendo: Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas; como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.”

A mensagem profética que Jeremias deveria entregar não estava direcionada apenas para a nação de Israel, pelo contrário, era também para sua própria reflexão, afinal ele era parte do povo. Desta maneira, ao mesmo tempo em que lhe era revelada a Palavra a ser proferida, seu coração ia sendo impactado com a revelação de que ELE ERA UM VASO DE BARRO!

Imagino que enquanto o oleiro quebrava o vaso e o refazia, Jeremias se enxergava e se descobria. A cada movimento das rodas citados no texto, o profeta compreendia que sua vida precisava de uma guinada, de um giro transformador.

Isto sucedeu também com Jó. No entanto, a forma de ensino foi diferente. Ao invés de analogia profética direcionada a uma nação, Deus utilizou “como didática” uma aflição real, duradoura e pessoal.

Durante todo o livro que leva seu nome, Jó procura compreender o motivo de sua aflição. Em diálogos com seus amigos, tentava entender a mente de Deus e Seu senso de justiça. Nesta procura desesperada por respostas, Jó encontrou perguntas. Deus de forma inesperada se revela, como se vê em Jó 38:1-3:

“Depois disto o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo: Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu me ensinarás.”

Inexplicavelmente Deus se põe como questionador num momento em que Jó queria respostas. O Senhor o convida para um embate dialético onde Ele lhe perguntaria, e não o contrário. Então, Jó nota o centro das atenções mudando da “ponta de seu nariz” para as coisas que estavam a sua volta. Neste contexto, Ele percebe sua enorme fragilidade e pequenez. Diante da grandeza do Senhor, de Suas obras e questionamentos, Jó se descobre infinitamente minúsculo e responde e Deus:

“Bem sei que tudo podes e que nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia.” Jó 42:2-3

Neste momento, Jó percebe o quanto é incapaz de governar sua vida, enxerga a Graça do Senhor no seu cotidiano e descobre que até mesmo sobre seus desejos e atitudes Deus é Senhor Soberano. A partir deste ponto sua alma encontra a revelação capaz de acalmar a alma do mais intenso dos ansiosos e o mais implacável dos perfeccionistas (que costumam se auto-mutilar com o chicote da culpa):

BEM SEI QUE TUDO PODES E NENHUM DOS TEUS PLANOS PODE SER FRUSTRADO.

Nesta frase ele demonstra a compreensão descrita no decorrer do capítulo de que Jeová é o Senhor até de nossas fragilidades. Não existe limitação pessoal capaz de nos impedir de cumprir a vontade de Deus, desde que estejamos totalmente dependentes de Sua Maravilhosa Graça. Se assim nos colocarmos diante Dele, Ele nos moldará, nos refará, operará em nós o querer e o efetuar (Fp 2:13) e completará a boa obra de nos tornar varões perfeitos a semelhança de Cristo (Fp 1:6).

Entender nossa limitação, compreender o pleno controle do Senhor sobre nossas vidas, nos sujeitar a este controle e experimentar da Graça de Deus em nosso cotidiano é o antídoto para nossa fragilidade, o remédio que nos cura da culpa pelo erro (mesmo após termos confessado e sido perdoados), o princípio ativo que nos sara da autoflagelação.

Quando descansamos nesta verdade entendemos, a semelhança do apóstolo Paulo, que os “espinhos na carne” são instrumentos de Deus pra o exercício de nossa dependência e humildade, pois estes “espinhos” nos fazem lembrar que somos humanos e precisamos desesperadamente da ação sobrenaturalmente transformadora do Senhor. Por isto, deixe que esta revelação entre em seu coração sarando sua alma do sentimento excessivo de pequenez e limitação. Se você assim fizer, descansará na certeza de que o Senhor te aperfeiçoará para a Glória Dele e, além disso, você viverá o que está escrito em 2 Coríntios 12: 9-10, que diz:

“E disse-me [o Senhor]: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo.
Porque quando estou fraco então sou forte.”

Que o Senhor Jesus te abençoe poderosamente...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O DNA DO IMPOSSÍVEL...


“E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi.” Gn 1:11


Este é um dos textos que muito me emocionam quando leio o livro de Gênesis. Apesar de parecer simples, nele reside um dos maiores segredos da vida cristã: A PALAVRA DE DEUS É GERADORA DE VIDA E TODA SORTE DE MILAGRES!


Quando lemos desatentamente o verso 11 do capítulo 1 não notamos que a criação da vegetação terrestre iniciou-se de forma inusitada. Deus criou um sistema auto-suficiente onde árvores produziriam frutos que por sua vez gerariam sementes e assim por diante. No entanto há algo que precisamos questionar:


ONDE ESTAVA A SEMENTE QUE ORIGINOU ESTA VEGETAÇÃO?


Em biologia chama-se germinação ao processo inicial da formação/crescimento de uma planta a partir de um corpo em estado de vida latente, que pode ser uma semente ou um esporo. Pode-se compreender por “vida latente” um corpo que armazena em si a incrível capacidade de reprodução pela carga genética que carrega e que aguarda a hora propícia de liberar esta vitalidade.

Quando observamos o texto de Gênesis percebemos a ausência de carga genética capaz de originar as primeiras plantas de nosso planeta. Em resumo, o texto parece incompleto pois uma enorme lacuna se observa Nele.

Quando procuramos a origem da vida vegetal neste texto não devemos nos atentar para as coisas naturais, mas para as SOBRENATURAIS.


A maravilhosa semente está nas quatro primeiras palavras do versículo 11:

“E DISSE DEUS: PRODUZA...”


A origem, sem dúvida, foi O VERBO, isto é, A PALAVRA DE DEUS. Ela possui vida em si mesma e por isso tem o poder de tornar realidade o que é impossível. O Evangelho de João no capítulo 1 afirma que:


“No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no Princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele e sem Ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida...”.


Note que o texto fala do VERBO como se este fosse uma pessoa. E realmente é. Na verdade, no grego, esta palavra presente no texto de João 1:1-3 aparece como LOGOS (λόγος) que significa tanto palavra falada quanto escrita, por isso traduzida para o português como verbo, isto é, uma classe gramatical utilizada para expressar processos, ação, estado, mudança de estado, fenômeno da natureza, conveniência, desejo e existência. Ou seja, situações ou ações peculiares aos seres celestes ou terrestres.


Neste caso, o ser a quem a palavra LOGOS se refere é a Pessoa do SENHOR JESUS, o grande EU SOU (Ex 3:14a), o qual é Deus, tem em si mesmo vida e gera vida pelo seu Excelso Poder. Nele (e em Sua Palavra) está “o DNA” capaz de trazer a existência o IMPOSSÍVEL, o IRREAL!

É por causa disto que o singelo texto de Gênesis se torna tão SUBLIME! Quando entendemos a gigantesca revelação que há nele percebemos que não precisamos de subsídios para que o milagre aconteça. A genética geradora de vida está na PALAVRA QUE SAI DA BOCA DE DEUS! Basta que o Senhor abra a boca e do nada a estéril Sara dá a luz a um filho ao seu senil esposo Abraão. Basta que uma frase seja proferida e uma viúva endividada, pobre e faminta passa da condição de miserabilidade para a abundância pela multiplicação do pouco azeite em suas botijas. Somente com uma ordem do Espírito Santo de Deus uma virgem dá a luz, um pescador frustrado vê suas redes cheias (e seu coração inundado de Graça), um judeu altivo chamado Paulo passa de perseguidor a perseguido (e se torna o maior mártir do cristianismo), paralíticos e coxos andam, leprosos são limpos (e recuperam sua dignidade), cegos vêem, mortos ressuscitam e...


E...???????


O que você completaria após este “E”?


Quem sabe o seu desejo é encaixar o seu tão sonhado milagre no fim da frase.


Quem sabe o que você vive agora é algo um pouco mais intenso do que a situação da viúva que citei, pois você se encontra SEM AZEITE E BOTIJA.


Mas e daí? Quem disse que Ele precisa de azeite, de botija, de SEMENTE? Ele é a SEMENTE! E se Ele der uma ordem a seu respeito, espere: O MILAGRE VAI ACONTECER!


Como está escrito em Romanos 4:17b: “Deus, que vivifica os mortos, chama a existência as coisas que não são como se já fossem.”


Ainda que seus sonhos e planos pareçam impossíveis de se concretizar, descanse, pois no Senhor está sua Fonte, Tesouro, Herança, Vida Abundante e certeza de que o melhor acontecerá.

Por isto, posso encerrar nossa reflexão de hoje te fazendo recordar...


“Mas, como está escrito: As coisas que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam.”

1 Co 2:9


Que o Deus Vivo gerador de Vida te abençoe poderosamente...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O VALE 121 – PARTE 2


“Elevo os meus olhos para os montes; de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.”
Salmo 121:1-2



Um vale profundo demais para ser ignorado...


Um monte distante demais para ser alcançado...


Em meio a tanto desespero, 121 consegue observar ao seu redor uma cadeia de montes. A imagem esverdeada da paisagem o faz esquecer-se por alguns minutos do seu triste e obscuro momento e, sem que notasse, sua mente começa a lentamente trazer-lhe novos pensamentos.

Frases soltas e momentos felizes começam a serem relembrados até que sua memória remete-se a um texto da Torá, que diz: “Esforça-te e têm bom ânimo; Não pasmes e nem te espantes! Porque Eu, o Senhor, sou contigo por onde quer que andares!”.
Pensando ter ouvido uma voz naquele solitário vale, 121 ergue a cabeça e assustado vê sua memória repetir a frase: “Esforça-te e têm bom ânimo; Não pasmes e nem te espantes! Porque Eu, o Senhor, sou contigo por onde quer que andares!”.

Outras vezes o texto se repete em sua mente de tal maneira que aquilo que era apenas uma lembrança tornara-se agora uma voz viva e ativa.

- Esforça-te e têm bom ânimo; Não pasmes e nem te espantes! Porque Eu, o Senhor, sou contigo por onde quer que andares! – repetia a agora voz ativa.

- Esforça-te e têm bom ânimo; Não pasmes e nem te espantes! Porque Eu, o Senhor, sou contigo por onde quer que andares!

Ouvindo a frase repetidas vezes, 121, fechando os olhos, começa a questionar a voz que grita no seu interior, dizendo:
- Deus Santo, Criador dos céus e da terra. Como eu posso ter forças e ânimo neste estado? Meus braços e pernas não respondem a meu comando! Minhas esperanças sumiram, pois meus sonhos poderão ser mortos a qualquer instante pela espada afiada de um filisteu qualquer! Tenho te servido há anos, oh Deus... Mas agora não posso! Estou no fundo do poço! Estou no meio do vale!

Seguida da frase, vem um longo suspiro incontido que é seqüenciado por um brado que há dias está travado na garganta:
- Socorre-me Senhor!
- Socorre-me Senhooooor!
- Socorre-me Senhooooooooor! - grita, por várias vezes.

Depois do grito, 121 suavemente abre os olhos e, como que se tivesse recebido uma revelação, percebe no cume de um destes montes um brilho diferente. O reflexo da luz solar atrai suas pupilas de tal maneira que sente-se vidrado pelo que vê. Com esta cena a sua frente, uma parte especial do repetido verso da Torá ressalta em seus ouvidos:
- Eu, o Senhor, sou contigo por onde quer que andares...
- Sou contigo...
- Por onde quer que andares...

Nesta hora um dos mais belos versos do Livro de Salmos é tecido no coração de 121. Em meio a lágrimas, seus lábios lentamente começam a sussurrar:
- Elevo os meus olhos pra os montes. Quem me dará socorro? O meu socorro vem do Senhor...
- Vem do Senhor... – continua
- Vem do Senhor, que fez os céus e a terra...

Enquanto o coração de 121 começava a criar um dos mais lindos cântico bíblicos, a uma certa distância dali, Deus dava uma miraculosa vitória ao Rei Davi e seus súditos.
Filisteus corriam por toda parte sem compreender como o cerco havia sido desmantelado. Soldados do exército de Israel subiam velozmente as campinas, vales e montes em busca de um filisteu qualquer que estivesse perdido ou escondido. E, nesta busca, um(a) israelita é encontrado de joelhos num vale. Soldados e um jovem homem de pele ruiva o pegam pelos braços e perguntam:
- Qual é o teu nome?

E o israelita responde:
- Sou 121. Um simples servo que compôs das lágrimas um novo cântico a Deus!

E o jovem ruivo responde-lhe:
- Prazer em conhecê-lo, Valente de Deus! Eu sou o Rei Davi!

Daquele dia em diante nada mais ouviu-se falar sobre 121. Sabe-se apenas que os palácios do Rei se lhe abriram e que em Israel, em dias de fome e desesperança, o seu cântico era lido a toda nação como sinal de que Deus pode mudar situações desastrosas.

Hoje este salmo serve como ensinamento de que o vale não é o lugar mais profundo da vida, mais o início de um alto e brilhante monte.

Se você está arrasado, sem direção, seus sonhos ruíram, sua despensa está vazia, está desempregado e sua auto-estima se foi junto com sua fé, lembre-se:

O vale é o lugar onde aprendemos a ouvir a Deus e o conhecemos verdadeiramente, a fim de que sejamos trabalhados para então desfrutarmos de sua intimidade no cume do monte.

Não tenha medo de chorar, gemer ou gritar por socorro neste vale que você está vivendo. O Salmista gritou por socorro, pois reconhecia sua necessidade de Deus.

Não minta para si mesmo escondendo sua angústia. Grite pelo Senhor e por Seu socorro! Diga a Ele que você quer sair deste vale!

O Senhor conhece suas limitações. Ele não deseja que você seja "perfeito" vivendo uma vida de tentativas de sucesso ou aperfeiçoamento de si mesmo pela força de seu próprio braço (porque é Ele quem te dá vitória e te leva a perfeição, afinal, as Escrituras dizem que esta obra é Dele). Ele apenas deseja que você seja humilde, sincero e inteiramente dependente Dele!

Por fim, jamais se esqueça:

É preciso passar (e não ficar) pelo vale pra subir a Montanha de Deus!


Que o Senhor te abençoe. Ele é contigo, por onde quer que andares...

domingo, 16 de maio de 2010

O VALE 121 – PARTE 1



“Elevo os meus olhos para os montes; de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.”
Salmo 121:1-2

Escrever sobre o que se vê é lindo. Falar sobre o que sê ouve é esplendoroso. Mas testemunhar o que sê vive é incomparavelmente singular.
As mais profundas histórias nascem de pessoas que primeiro viveram e depois descreveram suas experiências. As mais comoventes poesias saem das nostalgias, lágrimas ou alegrias do poeta, que, na tentativa de materializar suas emoções, transforma sentimentos em versos.
Há dezenas de homens e mulheres assim na Bíblia. O mais conhecido deles é Davi, o segundo Rei de Israel. Contudo hoje não escreverei sobre os textos do famoso rei Davi. Pelo contrário, compartilharemos, em duas partes, a história de um anônimo. Um homem ou mulher comum que, após muito ter chorado, colheu suas lágrimas numa taça e serviu como agradável bebida as pessoas que estavam a sua volta a fim de repartir com elas a maravilhosa experiência que teve com Deus. Compartilharemos a história do(a) escritor(a) do Salmo 121 e o(a) chamaremos simplesmente de “121”. Portanto, convido-lhe para preparar seu espírito a fim de navegarmos juntos com 121 nas águas da imaginação e da emoção através de uma ficção que quem sabe pode ilustrar a vida de muitos de nós.

Seria um dia comum. O sol nascia alegre beijando as verdes campinas da terra de Israel. As fontes de Jerusalém pareciam cantar uma suave melodia. Os ventos orientais sopravam as oliveiras e os campos de trigo. Ovelhas alvas como a neve chamavam aos gritos por seus pastores. Carvalhos balançavam numa sincronizada dança matinal. Seria um dia comum. Um dia como outro qualquer. Entretanto, há aproximadamente cinco dias, a cidade de Jerusalém fora cercada pelo exército dos filisteus e, atrás das linhas inimigas, um israelita que acordara mais cedo para dar de comer as suas ovelhas, deseja sinceramente que há cinco dias atrás o sol não tivesse nascido, apesar de que pra ele não houve diferenciação de dias, já que seus olhos não pregaram desde que recebeu a notícia, por um mercador midianita que passava por aquela região, do sítio de sua terra natal. Seu nome é 121. Um alguém que faz parte de uma massa de pessoas que se espalham por toda terra. O que o torna especial para nós, contudo, é a sua situação: 121 está deitado, neste exato momento, completamente só, no meio de um vale qualquer ao redor de Jerusalém.

A propósito, não querendo ser desagradável parando a história, você sabe o que é um vale? Um vale é uma depressão, um abaixamento de terreno que se forma entre regiões montanhosas. Ou seja, na maioria das vezes um vale é a parte mais baixa de uma montanha ou simplesmente a base da montanha.

Agora que já sabemos o que é um vale, voltemos a história de 121.

121 está deitado, neste exato momento, completamente só, no meio de um vale qualquer ao redor de Jerusalém. Sem forças para cuidar de suas ovelhas e de si mesmo, seus braços e pernas têm espasmos contínuos repuxando-se incessantemente devido a falta de nutrientes, pois há dias 121 não sabe o que é comer. Seu rosto está impregnado de uma crosta dura de terra que antes era apenas poeira, mas, após ser molhada por suas lágrimas, adotou a forma de barro. Sua voz assumiu uma rouquidão mórbida, pois, na tentativa de aliviar o desespero, 121 gritara com tanta intensidade que suas cordas vocais não suportaram tamanho esforço. Ao redor de seus olhos, enormes olheiras revelam seu cansaço e angústia. Sua memória trabalha como inimiga interior avisando-lhe que os filisteus não o perdoarão se o acharem atrás das linhas de batalha, nem pouparão sua família e concidadãos depois que iniciarem a invasão a sua amada cidade. Cenas sangrentas de morte são arquitetadas no teatro de sua mente, mantendo-o numa ansiedade que beira os níveis da tortura. Tudo que 121 tem é um vale pra deitar e a seu redor uma cadeia de montes pra avistar.

Um vale (denso, escuro e cercado pelo medo)...

Uma cadeia de montes...